Deixem meu quintal em paz!

Pois é gente, novamente essa história de invadirem nosso quintal. Parece filme repetido nas madrugadas da TV aberta, parece figurinha bisada no envelope finório. Uma ladainha que, volta e meia, cai no mesmo abstratismo. Qual a história por trás da história? A Cobal do Humaitá é coisa nossa. É coisa carioca, é tombada pelo Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro e não poderia ser de outra forma. Espaço descolado em Botafogo e adjacências, além de polo gastronômico, reúne de tudo um pouco. Tem para todos os gostos cobiçosos de sabores. Tem mercado e chope gelado. Tem arroz de rabada e ‘caipifruta’ no pote. Tem rosa, orquídea, camélia em flor. Tem a Chica, gata manhosa do se

Ela vai de bike e salto alto!

O insta e o site que ela tem se chama vou_ de_bike_e_salto_alto. E o face também. Pode nome mais charmoso? Juntando as duas redes sociais, a professora, geógrafa e historiadora paranaense Viviane Ferreira Mendonça, de 42 anos, tem 100 mil seguidores, seguidoras a maioria. É praticamente uma Penélope Charmosa sobre duas rodas. Hoje Vivi mora em Curitiba, mas ela nasceu em Lunardelli, cidade com cinco mil habitantes a cerca de 400 quilômetros da capital, morava em um sítio em Vila Primavera, lugarejo sem asfalto perto de Lunardelli. Aos 10 anos ela insistiu para seu pai José Carlos comprar a Monark verde escura com rodinhas que o vizinho estava vendendo porque ia se mudar. Não queria mais ter

Transporte coletivo em momento de crise

Cada vez menos pessoas estão usando ônibus como meio de transporte no Brasil. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 39% dos brasileiros estão insatisfeitos com o transporte público, sendo a região Sudeste a que reúne mais opiniões negativas. O levantamento fornece subsídios para o avanço de políticas públicas, com atenção à inadequação da priorização do transporte individual em detrimento do transporte coletivo, de acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann. A insatisfação com o transporte agrava durante a situação de pandemia atual. Diante da adoção do home office de apenas 43% de empresas brasileiras, da flexibilização da quarentena proposta em alguns estados e c

Empreendedor sustentável

Apenas um dia. Na verdade, bem menos do que 24 horas. Aos seis, sete anos de idade o catarinense Daniel Kohntopp da Silva decidiu que iria aprender a andar de bicicleta. Sozinho. E em apenas um dia. Teimosia pura. Não havia outro motivo. Ele já tinha tentado em outras, claro. Mas aquela era toda sua, presente de Natal. Novinha, verde escura, ele lembra bem. Logo cedo pegou a bike e foi para rua deserta, sem saída, sem movimento, em frente de casa em Joinville, onde nasceu e morava. Caiu e se levantou, caiu e se levantou, bateu no muro um sem número de vezes, foi parar no poste... Felizmente não se machucou, não desistiu e só saiu de lá no final do dia, não sem antes chamar toda a família, os

100 dias fotografando o amanhecer

Amanhecer de 16/08/2020 - Projeto "Fotos da janela na quarentena" - Dia 100º. "Nestes cem dias fotografando as alvoradas, me veio à lembrança “Cem Anos de Solidão”. Publicado em 1967, obra-mestra do escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, conta a história da fictícia Macondo, fundada pelos Buendía, e é recheada de realismos mágicos’. Uma espécie de “Saramandaia” latino-americana, com ares de atualidade tupiniquim. Há de tudo: epidemia de insônia, de esquecimento, ‘pitacos’ de pseudo salvadores da pátria um tanto quanto curandeiros, personagens bizarros e de outros mundos... nada mais surreal, nada mais atual, nestes tempos pandêmicos, soturnos e sombrios, quase de trevas, em que vivemos.

Diva do cicloativismo

Renata Falzoni e seu cabelo vermelho são um acontecimento. Há muito tempo. De fora tem-se a impressão de que ela jamais perdeu um segundo na vida. Fotógrafa, já clicou Chico Buarque de Holanda pelado fazendo um freela para a Playboy no Festival de Cinema de Gramado, foi das primeiras videorrepórteres, fez trilhas, escalou, inventou eventos de mountain bike, foi candidata a vereadora e viajou o Brasil e o mundo de bicicleta, mais de 30 países... E é justamente o pedal que me interessa. Renata, 66 anos, é sinônimo de cicloativismo no país. É uma das pioneiras, começou nos anos 70, naquela São Paulo sem o tráfego de hoje, nem por isso mais amistosa. Durante essas quatro décadas pedalou praticam

Ado-ado-ado, cada um no seu quadrado

Eu disse, ado-ado-ado, cada um no seu quadrado! E lá da prefeitura brada o alcaide, determinando que, praia agora, só com hora marcada pelo app, diz ele, gratuitamente ou de quem chegar primeiro. A famosa ordem de chegada. Tudo começará numa segunda e, com certeza, como cinzas, se acabará na quarta-feira. O primeiro loteamento principiará nas escaldantes areias da Princesinha do Mar, se estendendo por outras orlas cariocas. A iniciativa privada entra com a tecnologia em troca de publicidade. Aliás, privada, é como andam algumas de nossas praias. Os quadrados, ninguém sabe o tamanho, mas o burgomestre afirma, caberão quatro pessoas. Cada quatro no seu quadrado. Em vez da noite dos mascarados,

Carta a Caê

Caro Caetano, Desculpe a intimidade, mas aprendi com Bethânia que lá vem o mano, eu amo Caetano. Acho que posso, até, te chamar de Caê. Você faz aniversário hoje. Achei que a data é apropriada para te escrever. Do alto de seus 36 anos na época, você cantou encantadoramente a Pauliceia Desvairada. Em “Sampa”, poetizou a sua mais completa tradução. A cidade que te apavorou, nos longínquos 1978, esquecidos lá no século passado, mudou, não muito, mas mudou. A feia fumaça ainda sobe, mais poderosa. Não apaga só as estrelas; às vezes tem apagado o Astro-Rei e a Lua. Apaga sonhos, apaga a luz. Os Mutantes já não existem, ficaram nos mesmos 1978, mas Rita Lee agora faz lives, como essa que você, fin

O advogado ciclista

Aposto que a maioria dos ciclistas que você encontra pela rua, durante a semana, veste moletons, jeans, bermudas... Roupas informais, jamais um terno bem cortado, camisa social e gravata, certo? Pois eu conheço um ciclista-advogado (ou advogado-ciclista?) em São Paulo, Thiago Tifaldi, de 41 anos, que há anos pedala de terno. Sempre muito elegante. E exótico, como dizem os seus amigos do trabalho. É verdade que hoje, por causa da pandemia, ele pedala bem menos. Antes chegava a fazer coisa de 10 ou 15 quilômetros por dia, do Butantã, onde mora, a caminho de reuniões com clientes, fóruns ou para a sede da OAB do bairro. Enquanto pedala ele costuma colocar a vida em ordem, problemas, processos,

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