Redes ou teias?

Depois de assistir “O Dilema das Redes” (The Social Dilemma) de Jeff Orlowski, em exibição no Netflix, fiquei bastante pensativo no quão manipulados temos sido desde o finado Orkut ou Buscaki. Todo o alvoroço causado pelo documentário, entre os usuários das diversas mídias sociais, as várias crônicas com reflexões comportamentais, o ‘cair na real’ generalizado de quem assistiu, me fez mais atento. Aquele ‘será’ interno que nos angustia, que me ‘perguntava’ todo tempo: você caiu nessa? Não percebeu nada? Achava que era mera coincidência ter pensado em comprar aquela câmera nova, aquela camisa, ou imaginado aquela viagem que estava mais para quimera do que para realidade, ter dado uma pesquisa

Paraísos à vista

Passar o dia todo em cima de uma bicicleta, pedalar sozinho pelo mundo encontrando gente bacana em meio às paisagens mais lindas... Esse pode ser o sonho de muita gente, não é? Para o ciclista e Bike Anjo pernambucano Enio Paipa, de 32 anos, literalmente deixou de ser sonho para se transformar em vida real. Em abril de 2018 ele deixou Janga, bairro no litoral sul do município de Paulista, em Pernambuco, com exatos 100 dólares no bolso. A ideia era percorrer a América do Sul. Uns seis pneus furados e quase 20 mil quilômetros depois, nenhum tombo mais sério e um gasto total em torno de R$ 10 mil – e sua bicicleta Merida Cross Way roubada e logo substituída por uma Kross Trans Global –, ele vol

O transporte público como espaço seguro para todos

O debate sobre o espaço do transporte público e da mobilidade urbana para grupos extremamente marginalizados é primordial no quesito de inovação e desenvolvimento da mobilidade. No entanto, o preconceito se encontra tão enraizado na sociedade que muitas vezes passam despercebidos. O transporte público é um espaço primordial da vida na cidade e precisa urgentemente acolher as necessidades do público, entendendo questões de uma mobilidade mais diversa. Para além do espaço, é necessário pensar que a experiência para cada pessoa é diferente. Em eventos relacionados à mobilidade urbana, é raro observar diversidade nos lugares de fala. As situações de negligências e falta de representatividade d

O Dia Mundial sem Carro

Olá como vai? Eu vou indo e você, tudo bem? Tudo mesmo? Tem certeza? Hoje, e quando possível, deixe na garagem seu ‘Fuscão Preto’; estacione seu ‘Opala Azul’, guarde a ‘Brasília Amarela’, o ‘Corcel cor-de-mel’, aquele ‘Mustang cor-de-sangue’; imobilize a ‘Kombi 66’, o ‘Calhambeque’, o ‘Carro Velho’; retenha o ‘Mercedes Benz’, o ‘Ford Corcel 73’, deixe, até, a ‘Rural’, o ‘Sinca Chambord’ e o ‘Fiorino’ no parqueamento. Pelo menos hoje, a Stefhany vai estacionar o CrossFox; irá de Metrô. Angélica esquecerá o táxi e irá a pé, fazendo aquele exercício básico. No Dia Mundial sem Carro, cada um faz sua parte. Pise no freio, obedecendo ao coração e pare, nunca na contramão, mas pare, freie, breque,

O Rio de Ruy Castro

A live recente feita com os escritores Ruy Castro e Heloisa Seixas no Quarentena News me fez pensar, profundamente, em relação ao meu liame com o Rio. Ruy tem absoluta razão quando coloca que é recorrente essa história de ‘que o Rio está acabando’, ‘que o Rio acabou’. Desde o início do século passado, essa cantilena se repete, com as malemolências que lhe são inerentes. Segundo Ruy, se perguntássemos ao jornalista Paulo Francis, ele diria que havia acabado com a transferência da capital federal para Brasília. Se inquiríssemos Ivan Lessa, também jornalista, ele teria afirmado que acabara nos anos 50, ao término de sua adolescência. Se questionássemos o notável pintor e caricaturista modernist

Uma bicicleta, um legado

Ela incrivelmente só se reaproximou de verdade de uma bicicleta em 2014, quando voltou com a família ao Brasil depois de morar mais de dez anos na Inglaterra, em Loughton, distante uma hora de trem de Londres. Sim, Ana Luiza Carboni, consultora carioca formada em Psicologia e com mestrado em Gestão de Recursos Humanos pelo King's College London, andava de bicicleta na Europa, mas em cima de uma ergométrica, que ficava na garagem de sua casa. Pedalar mesmo, pouquíssimo. Digo incrivelmente porque Ana é hoje das pessoas mais envolvidas com esse veículo moderno que eu conheço. E tem um network mundial invejável. Sua vida é puro ativismo sobre duas rodas: ela coordena, questiona, pressiona, reúne

Um paulioca sobre duas rodas

Daniel e seu filho Bento Para o fotógrafo e surfista Daniel Martins Pinheiro, 48 anos, meio paulistano, onde nasceu, meio carioca, onde cresceu e morou a maior parte da vida, a bike sempre foi um meio de transporte inteligente. Não um esporte, como o surfe, que ele pratica até hoje. Aprendeu no Rio, criança, como em geral acontece, mais precisamente em Teresópolis, no interior, em um fim de semana qualquer, pelas mãos do primo mais velho Luiz Otávio, seu grande parceiro de aventuras. A partir daí aproveitavam, ele, o primo e os amigos, o que podiam daquela cidade maravilhosa, que sempre os convidava para uns pedais como só ela consegue. E eles não impunham a menor resistência. Faziam passeio

Uma bicicleta no coração

Você pode até conhecer alguém tão apaixonada e tão encantada com uma bicicleta quanto a publicitária paulistana Silvia Ballan. Não mais do que ela. Quando tinha quatro, cinco anos, no Dia das Crianças, ela ganhou de surpresa sua primeira bicicletinha, presente de sua mãe Helena e do seu pai Nelson, médico pediatra. Ela se lembra bem, como se fosse hoje: era uma Caloi dobrável, cor de vinho, rodinhas extras na traseira. Os fins de semana que se seguiram foram todos no campus da USP – Universidade de São Paulo –, onde há muito espaço livre, próprio para quem quer aprender a andar sobre duas rodas. Os pais dando o maior apoio, ela não demorou para se equilibrar sozinha. Pouco tempo depois sua f

Museu Nacional, dois anos de cinzas

Na manhã do dia 31 de agosto, sexta-feira, a última de agosto de 2018, juntei meu equipamento, flashes, câmeras, tripés, lentes – como diz o Nelson Vasconcelos, uma parafernália de traquitanas – e parti com a Carla Dels, uma assim guru-assistente, astróloga, artista plástica e mais uma montanha de predicados, para a Quinta da Boa Vista. Missão: fotografar o Museu Nacional para meu livro “Vistas & Visões da Cidade Maravilhosa”. Era um quase setembro, todos andavam ávidos pela “boa nova”. Havia um Sol de rachar lá fora e um editor gentil, mas às tintas, me cobrando a conclusão da obra dentro da minha cabeça. Eram as fotos faltantes para fechar o livro e enviá-lo a gráfica. Para agilizar, utili

O fim dos carros estará próximo?

As pessoas precisam se movimentar, isso é um fato. Desde os primórdios da história uma das características básicas do que é ser “humano” é sua capacidade de se locomover para novos ambientes com o objetivo de sobrevivência. Com a criação dos carros e sua maior disponibilidade no século XX, houve um um grande salto na mobilidade das pessoas, que encontraram um jeito prático de fazer grandes trajetos. O advento do automóvel na pós Revolução Industrial foi tão importante que impactou a forma como as cidades passaram a ser pensadas e construídas e, também, como nos movimentamos, com um processo intenso do estímulo à mobilidade motorizada em detrimento do andar a pé. Os espaços urbanos começara

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