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O transporte é público – o corpo da mulher não

 

Um dia desses vi o relato de uma amiga no Facebook sobre o ônibus noturno, contando que o motorista da linha havia desviado o caminho para deixá-la na porta de casa.

 

Parece que a prática é comum entre os noturnos. Em alguns lugares do Brasil, como em Cuiabá, é lei: o motorista pode (e deve) parar fora do ponto para mulheres depois das 21h.  

 

Apesar da discussão sobre o assédio no transporte público ter arrefecido, o problema não acabou. Ao contrário. Segundo pesquisa do Datafolha, o transporte público é o lugar onde as mulheres mais sofrem assédio na cidade: 35% das entrevistadas relataram ter passado por algum tipo de violência nesse ambiente – seja ela física (22%), verbal (8%) ou ambos (4%). Já é tempo de reverter a estatística.

 

Quando os casos de assédio bombaram nos noticiários, em 2014 e 2015, o Metrô respondeu mal, com uma campanha esquisita em que funcionários simulavam, nos cartazes, poses de superheróis bad boys sobre escritos como “você não está sozinha”. O que, além de esdrúxulo, não é verdade. A Assembléia Legislativa ainda aprovou a criação do vagão rosa à época, porque é mais fácil, ao que parece, segregar do que conscientizar a população agressora.

 

Na verdade, é preciso colocar mais funcionárias mulheres nos transportes da cidade, tanto nas estações e veículos como nas cabeças. Pode parecer pouco intuitivo para aqueles que pensam como a propaganda do Metrô, mas os homens têm menos empatia para lidar com o assédio – simplesmente porque não passam por isso como as mulheres. Além disso, muitos dos funcionários também assediam passageiras. E tendem a ser mais despreparados. Ou preparados por outros homens, o que também não faz sentido.

 

Também há que se facilitar a denúncia, implementando postos físicos de amparo às vítimas em pontos estratégicos da cidade. Hoje em dia as mulheres devem recorrer à internet ou telefone se quiserem registrar sua ocorrência com o órgão, o que desestimula e dificulta o registro para pessoas que não têm um smartphone, ou mesmo um telefone.

 

E, ainda, os governos estaduais e municipais precisam publicizar os dados sobre os assédios e violência contra a mulher no transporte. Isso constrange, e por isso mesmo faz com que os órgãos públicos, pressionados pela mídia e pela população, busquem soluções para o problema. O ideal mesmo, mas talvez o mais difícil, seria colocar mais linhas e trens para otimizar as viagens, diminuindo as lotações que tornam as mulheres muito vulneráveis.

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