Coletivos em Dublin

Conheci Dublin a partir dos seus ônibus, meu meio de transporte por cerca de uma semana.

 

Eu estava hospedada em Tallaght, bairro periférico com prédios de apartamentos e residências, setores industriais e comerciais. Muito espaço verde e rede de ruas e de largas avenidas. A uma quadra e meia do ponto, eu tomava o ônibus de número 27, direção Clare Hall, na ida à cidade. Na volta, Jobstown.

 

Até o centro da cidade, eram trinta e cinco ou quarenta minutos, tempo suficiente para observar o trânsito das ruas, as pessoas que subiam e desciam ao longo do caminho. Rush? Sim, a linda Dublin de cerca de 500 mil habitantes também apresenta rush estressante. Cuidado, portanto, com a hora de tomar o coletivo!

 

Durante o trajeto eu ia ouvindo a gravação de voz feminina indicando os nomes das paradas em inglês e também em gaélico (língua da época dos celtas). Essa língua, que não é mais falada, é também visível nas placas pela cidade e ensinada nas escolas. Resistência na defesa de uma tradição!

 

Nas comparações que fiz com minhas andanças pelo sistema paulistano de coletivos, descobri mais semelhanças do que diferenças. A contida polidez dos mais velhos e a afoiteza dos jovens. O uso generalizado do celular. Pessoas mais velhas portando muletas. Gente com grandes pacotes e sacolas. Mas, em Dublin, são bem-vindos os carrinhos de bebês, subindo e descendo pela rampa especial com bastante frequência.

 

O sistema de cobrança é feito pelo motorista (valor certo, por favor, pois ele não dá troco) ou por cartões pré-pagos. Viajantes distraídos podem ter problemas.

 

Também tive um papo de ônibus! Um senhor me tomou por uma moradora local e em grande parte do trajeto tentei suprir sua curiosidade acerca do Brasil. Sim, o Rio é o cartão postal brasileiro preferido dos estrangeiros!

 

Conheci Dublin a partir de seus ônibus de dois andares, seu burburinho típico. Criei dela uma imagem só minha. Observei as ruas dos bairros, da parte central da cidade, seus prédios com cheiro de livros como o Trinity College, ou o Museu Dublinia, em que descobri os Vikings. Ou as árvores amarelo-laranjas do St Stephens Green (outono!), sem contar as margens do Rio Liffey com sua ponte antiga de 1816, só para pedestres. E também a ponte moderna em forma de harpa, o símbolo da Irlanda.

 

De tudo, tenho uma conclusão interessante: Quem anda de coletivo no Brasil não terá grandes dificuldades em Dublin. Alguns cuidados necessários além dos já citados? Sim: não se enganar com a direção da volta ao destino desejado, não esquecer o número do ônibus ou o nome da linha.

 

Mas, esses detalhes qualquer usuário amador deve saber, não é mesmo?

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