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A cidade das bicicletas

17/8/2018

Em Afuá, no Pará, a bicicleta é o principal meio de transporte: 90% da população usa a magrela para se locomover.

 

Erguida sobre plataformas de madeira para evitar inundações dos rios que a cercam, e para enfrentar as estações de chuvas e as cheias das marés, esta cidade de 40 mil habitantes, a 254 km de Belém, é o único município do país onde automóveis e motocicletas são proibidos por lei.

 

Nessa “Veneza marajoara”, localizada ao norte da Ilha de Marajó, a bicicleta é uma solução criativa e que vem mudando para melhor a vida da população. 

 

Os veículos motorizados põem em risco as estruturas de madeira sobre a várzea, por isso só a bicicleta tem vez ali. O resultado é que, desde os anos 1970, a cidade cresce e se movimenta apenas sobre bikes. As motos chegaram a surgir no início da década de 1990, mas foram logo banidas pela prefeitura, com o apoio da população.

 

Bicitáxis e bicilâncias

Com o tempo, invenções dos próprios moradores incrementaram a bicicleta para usos diversos. Em 1995, o radialista Raimundo Souza, o Sarito, teve ideia de fazer um veículo diferente para levar a família passear. Nasceu então o primeiro bicitáxi, montado a partir da junção de duas bicicletas em uma estrutura de aço. Hoje, variados tipos, alguns deles equipados com confortáveis bancos estofados, guarda-sóis e sistemas de som, circulam por Afuá com passageiros o dia todo.

 

Os comerciantes transportam suas mercadorias de triciclo, o batedor de açaí – uma das principais culturas locais, além do camarão – também pedala e até a polícia faz a ronda diária de bike. “Bicilâncias” de quatro rodas acodem nas emergências, e as crianças, desde muito pequenas, cruzam a cidade pedalando. O povoado erguido sobre palafitas realmente fez da bicicleta seu principal meio de transporte. 

 

Envolvida pela natureza fértil da Amazônia, Afuá é um recanto único no nosso diversificado país. Conhecida como a Veneza de Marajó ou ainda a Amsterdã dos Trópicos, esta cidade construída sobre as águas é a prova de que a necessidade é mesmo a mãe da criatividade. E, nesse caso, de uma criatividade que se traduz em mais saúde e qualidade de vida para a população.

 

 

Fotos de Anderson Coelho e Nelson Mello

 

 

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