• Chantal Brissac

Bicicleta, um remédio para as cidades


Ciclovia suspensa em Copenhague, capital da Dinamarca - foto de Sandra Hoj


Ela deve ser uma opção viável e atraente para todos – especialmente para os que ainda não pedalam. Quem diz isso é Philippe Crist, um dos maiores especialistas do mundo em mobilidade urbana, que integra o time do ITF - International Transport Forum, órgão global que pesquisa as políticas de mobilidade urbana no mundo.

Crist fala com conhecimento de causa. Há anos ele se concentra no desenvolvimento da “mobilidade disruptiva”, que vem para mudar a ordem das coisas – no caso, o padrão do carro individual e movido a combustão. Portanto, o compartilhamento de veículos elétricos, novos sistemas sobre trilhos e, especialmente, a integração de todos os modais nas cidades estão no topo dos seus interesses.

O franco-americano Philippe Crist, especialista em mobilidade urbana


Mas tem um tema pelo qual ele se encanta, e não é por acaso: a bicicleta. Este franco-americano é um ciclista apaixonado pelo pedal. “Penso melhor em cima de uma bicicleta”, diz.


Segundo Crist, vivemos um momento em que será necessário rever hábitos e se adaptar ao crescimento da mobilidade ativa. Para o bem da saúde das pessoas e das cidades, que precisam tornar a bicicleta convidativa para gente de todas as idades e classes sociais. “Em metrópoles onde o ciclismo não é uma opção atraente e segura, quase não há mulheres, idosos e famílias pedalando. Já nas que incentivam a bicicleta você encontra essa diversidade. Isso deve ser estimulado porque as vantagens, em todas as áreas (saúde, finanças, meio ambiente), são imensas”, ele afirma.

Ciclistas em Copenhague


Algumas cidades europeias simbolizam todos esses benefícios de anos investindo na bicicleta. Copenhague, por exemplo, é uma cidade ciclística. É possivelmente a cidade mais amigável do mundo para ciclistas. Com cinco bicicletas para cada carro, tem mais de 50% da população pedalando diariamente. A infraestrutura ao redor da cidade reflete isso, com 460 quilômetros de ciclovias segregadas, algumas delas suspensas, como a Cykelslangen, que permite que os ciclistas trafeguem com segurança e de maneira mais rápida. Com quatro metros de largura, o viaduto é bidirecional e possui 235 metros de comprimento.


Confira algumas sugestões de Philippe para construir cidades amigáveis para a bicicleta:


• Desenvolva uma infraestrutura segura. É necessário converter faixas de carros em espaço para bicicletas e pedestres, criar ciclovias e redesenhar cruzamentos para garantir segurança.


• É preciso gerenciar a velocidade, implementando limites e redesenhando ruas com velocidades mais lentas. Na ausência de ciclovias, os ciclistas devem ocupar a pista.


• O ciclismo precisa ser incorporado ao sistema educacional, com aprendizados desde a infância, como acontece na Holanda. O licenciamento de motoristas deve assegurar a boa convivência no trânsito, lembrando que as leis protegem os mais frágeis (pedestres e ciclistas).


• Facilitar a venda de bicicletas, para pessoas que não podem comprá-las, é essencial, bem como programas de recompensas pelo uso em empresas.


• As cidades devem claramente conectar a saúde e o desenvolvimento sustentável com as questões da mobilidade e do trânsito. Esses objetivos dão argumentos na arena política para enfrentar as objeções dos motoristas.

Ciclistas em Amsterdã

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