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O amarelo contagiante das bikes Yellow

10/10/2018

Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Eduardo Musa, sócios da Yellow

 

Desde o dia 2 de agosto, as bicicletas da Yellow vêm colorindo a cidade de São Paulo, enquanto inspiram as pessoas a experimentar um transporte sustentável, silencioso e saudável.

 

Quando decidiram abrir a Yellow, a primeira de compartilhamento de bicicletas sem estações do Brasil, os três sócios – Ariel Lambrecht, Renato Mendes e Eduardo Musa – foram chamados de malucos. “As pessoas diziam que no Brasil isso jamais daria certo, que as pessoas destruiriam tudo, mas a gente sempre acreditou. E está indo muito bem. Estamos nos surpreendendo com a quantidade de viagens”, diz Ariel, que recebeu a reportagem do Pro Coletivo para uma conversa.

 

Só nas primeiras duas semanas de operação mais de 40 mil corridas foram realizadas. Infelizmente, casos de vandalismo e roubo têm acontecido, mas isso representa pouco no cenário geral. E essas perdas iniciais já estavam previstas pelos sócios. Tanto é que as bicicletas são rastreadas por GPS, o que facilita a recuperação; foram feitas com peças que não se adaptam a outros modelos; e são cuidadas por um time de setenta “guardiões”, os funcionários contratados para fazer manutenções e estimular as boas práticas dos usuários.

 

A operação, que começou com 500 bikes espalhadas perto da Ciclovia Faria Lima, hoje já conta com duas mil magrelas e pretende fechar 2018 com 20 mil. “Queremos chegar a 120 mil bicicletas no ano que vem, um número necessário para São Paulo”, afirma Ariel, que foi o fundador, com Renato, do app de serviço de táxi 99. “O mais legal de tudo é que as pessoas estão querendo que funcione. Elas falam que essa é uma chance de provar que o Brasil pode dar certo, que dá para melhorar a nossa mobilidade. Nas redes tem muita foto de gente feliz curtindo a Yellow, além de comentários de quem mudou a vida por causa da bicicleta”, ele diz. “E o nosso objetivo é realmente melhorar o trânsito de São Paulo. O problema da mobilidade se resolve com várias soluções, por isso entramos também com o patinete elétrico, e mais adiante teremos a bicicleta elétrica”.

 

Para Ariel, a Yellow precisa envolver toda a população: motoristas de carros, de ônibus, taxistas, motociclistas e pedestres. “A gente depende que todo mundo cuide bem da Yellow e que entenda que ela é feita para melhorar a cidade”. Quem observa o vaivém deslizante de bikes amarelas nas ruas se anima com esta bela visão. Muita gente tem usado a bike na hora do almoço e também nos horários de pico, uma forma de driblar o trânsito mais nervoso.

 

O sistema é simples: você abre o app e vê em um mapa onde está a bicicleta mais próxima, coloca crédito e abre o cadeado com o código de barras QR na parte de trás da bicicleta. Ao terminar o trajeto, é só estacioná-la em algum lugar onde ela esteja visível e não atrapalhe o fluxo de pessoas, trancando o cadeado manualmente.

 

O custo é de R$ 1 a cada 15 minutos. Por estar solta nas ruas, a Yellow é aliada na integração ao transporte coletivo ou para atingir distâncias curtas. Simples, sem marcha, foi idealizada para andar quinze minutos em média, cerca de um ou dois quilômetros no máximo.

 

Se observarmos que 42,1% dos deslocamentos em carro próprio em São Paulo não ultrapassam os 2,5 km – viagens curtas que geram um alto custo para a cidade e a saúde da população –, o papel da Yellow torna-se ainda mais importante, melhorando o fluxo, reduzindo a poluição e transformando o dia a dia das pessoas.

 

O sistema de bicicletas soltas nas ruas, sem estações, começou no mundo há três anos, quando a empresa chinesa Mobike colocou a sua primeira bicicleta nas ruas de Xangai: a ideia era oferecer um sistema de compartilhamento de bikes sem estações fixas. Hoje ela conta com nove milhões de bicicletas espalhadas em duzentas metrópoles de quinze países. 

 

O nosso exemplo brasileiro, portanto, pode ser muito bem-sucedido e trazer uma melhoria para o bem-estar e a mobilidade do país. Afinal, tudo o que for possível fazer para diminuir os congestionamentos, reduzir a poluição e tornar a vida das pessoas melhor é muito bem-vindo. 

 

Como ele diz, é importante que toda a população entenda a importância desse projeto para o bem da cidade. “Juntos, a gente pode fazer a cidade melhor, com menos trânsito, menos poluição e mais saúde”.

 

 

 

 

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