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Por que prosseguimos poluindo?

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A poluição do ar é absolutamente democrática: atinge a todos, do rico ao pobre, causando males que envolvem problemas físicos (no pulmão, no coração, no sistema respiratório, na pele) e emocionais (stress, depressão, ansiedade etc.). Mesmo assim, prosseguimos mantendo o mesmo estilo de vida, cada um sozinho em seu carrinho.

 

E há quem acredite que, por estar dentro do carro, não esteja inalando os poluentes. Ledo engano. Em pesquisa feita pelo Instituto do Coração Ubiratan de Paula Santos, a bicicleta e o carro fizeram o mesmo percurso em mais ou menos uma hora e, no laboratório da USP, foi possível ver quem respirou mais poluição: foi o motorista.

 

“O resultado dessa experiência foi que a pessoa que estava dentro do carro estava mais exposta ao material particulado do que a pessoa que foi de bike”, revela o engenheiro agrônomo Marco Antônio Martins. Foi medida a concentração de material particulado, a poeira preta e fina que entra no pulmão. No carro, a pessoa ficou exposta a 127 mg/m³. Já na bicicleta, o participante ficou exposto a 105 mg/m³. Isso significa que o ciclista respirou um ar 17% menos poluído. “A diferença é que o carro estava numa via muito poluída, com muito trânsito e a bike foi pelas vias mais arborizadas”, diz Marco Antônio.

 

Um estudo feito pelo Instituto de Saúde e Sustentabilidade e pela Escola Paulista de Medicina em 2018 e divulgado ontem pelo Jornal da USP apontou que, se os níveis de poluição continuarem como estão, até 2025 haverá mais de 51 mil mortes na Grande São Paulo provocadas pela má qualidade do ar.

 

A pesquisa revelou que esses números correspondem a 6,4 mil mortes por ano, ou seja, 18 mortes por dia na Região Metropolitana de São Paulo. 

 

São diferentes tipos de poluentes, segundo Edmilson Dias de Freitas, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. "Para melhorar a qualidade do ar de uma cidade como a capital paulista é preciso antes entender a origem da poluição", ele afirma.

 

Responsável pelo Laboratório Móvel para Pesquisa e Monitoramento da Qualidade do Ar, também conhecido como Lumiar, o professor explicou que a iniciativa está “trabalhando no entendimento dos processos ligados à poluição atmosférica, visando a propostas para a melhoria da qualidade do ar”.

 

Com o laboratório móvel, pesquisadores caracterizam não apenas o que constitui a poluição do ar na região de São Paulo, mas como se dá seu percurso entre diferentes cidades. “Um poluente que é emitido aqui na Região Metropolitana de São Paulo é carregado para outras regiões pelo vento e vai interagir com a atmosfera dessas outras regiões de forma diferenciada”, explica. Além de mapear as áreas poluídas, o professor tem sugestões sobre como diminuir a emissão de poluentes nas cidades.

 

Para ele, tudo começa na melhoria das tecnologias que mais utilizamos, como, por exemplo, a dos motores a combustão dos carros. “Se eu reduzir o número de veículos eu vou diminuir as fontes. Então melhorar o transporte público, por exemplo, é uma medida importante”, destaca.

 

Além disso, diminuir a poluição industrial e a poluição causada pelos motores a combustão vai melhorar também a saúde da população.

 

Para Mariana Veras, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina (FM) da USP, é preciso entender a gravidade dos problemas de saúde causados pela poluição hoje. De acordo com ela, eles “podem ser desde uma simples irritação nos olhos, uma irritação na garganta, como também aumento do risco de morte e câncer de pulmão. Então, vai desde um efeito bem pequeno até efeitos devastadores que levam à morte”, esclarece.

 

E além dos nossos pulmões, ela atinge também os nossos bolsos. A má qualidade do ar vai afetar até mesmo a nossa produtividade. Segundo esse estudo da USP, os gastos com as doenças decorrentes da poluição irão ultrapassar os R$ 22 bilhões nos próximos oito anos. A poluição ambiental também está associada a alguns transtornos emocionais, como ansiedade e depressão, de acordo com Mariana Veras.

 

Para os dois especialistas, uma cidade menos poluída é uma cidade mais leve, mais saudável e mais limpa, que usa fontes de energia sustentáveis e que gasta menos tempo e recursos com saúde, já que sua população não será afetada pela má qualidade do ar.

 

 

 

 

 

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