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Carta ao Gilberto, aquele que todos amam, o Gil

Pois é, Seu Gilberto, essa cidade que o senhor mandou abraços já não é mais aquela. Queria, eu, poder passear com a minha bike, com meu camelo, minha magrela, pelas ciclovias da cidade, mas, anda tudo meio complicado. Já não tem mais aquele elan, diria Claude Amaral Peixoto.

 

 

Pela orla até vai, vejo a paisagem, as meninas coloridas pelo Sol, que encantavam Vininha, vejo meus amanheceres, meus pôr dos sóis, dou aquela paradinha para o mate gelado, para o Biscoito Globo, mas só chego até o fim do Leblon.

               

Queria ir até São Conrado, pois essa era ideia da ciclovia da Niemeyer, queria pegar minhas ondas no canto da praia, naquele cantinho democrático, onde todos os surfistas são bem-vindos, onde a galera da Rocinha e os bacanas da Zona Sul se confraternizam à espera da rainha, a onda perfeita para dropar, para o tubo, para se exibirem, para compartilharem a felicidade.              

 

Mas Seu Gilberto, agora não dá, a ciclovia, batizada de Tim Maia, caiu, desmoronou, desabou, tombou, desintegrou, matou seres humanos. A ciclovia foi derrubada por uma ressaca, não uma vez, mas algumas vezes. Fiquei imaginando o Tim, que nunca era derrubado por uma delas... deve ter se revirado no túmulo, deve estar rogando pragas, por ter seu nome atrelado a esta obra até os dias de hoje e o fará por toda eternidade.          

 

 

Não tiro sua razão, afinal o que era belo, o que era nobre, o que era para ser do Leme ao Pontal, foi interrompido por umas ressacas, logo umas ressacas que nunca derrubaram o Tim que, adorava ver o “azul da cor do mar”.

               

Sabe Seu Gilberto, adoraria andar pelas ciclovias da cidade, fora das orlas, mas o senhor deve saber, que muitas vezes não dá. Tenho que desviar dos carros que, teimam em estacionar sobre elas, dos obstáculos que são deixados nelas, tenho que me fazer respeitar pelos veículos, não posso ser deselegante com os pedestres e trafegar sobre as calçadas, mas, muitas das vezes é minha única alternativa. Sei que estou errado, confesso, mas o que se há de fazer? Não tenho espaço, o pouco que me sobra tenho que compartilhar e, muitos não me respeitam. Me acham intruso naquele ambiente que a prefeitura “diz” ser compartilhado. Tenho que andar “atento e forte” e, algumas vezes, “não posso, nem devo temer a morte”.

               

Pois é, Seu Gilberto, a coisa aqui anda feia, já cantava o Seu Francisco, agora, também, anda difícil. Conseguir uma bicicleta para locação, em tempos de pandemia, tem sido tarefa árdua. Aquelas cor-de-abóbora, daquele banco famoso por ter inventado o tal de arroba no ar, você sabe quais são. Elas andam sumidas. Nestes tempos de Covid-19, andam sendo utilizadas, em massa, pelos meninos e meninas “empreendedores”, em seus deliverys maravilhosos. São tempos de sobrevivência, tempos difíceis e modernos ao mesmo tempo, enfim!

 

              

Sabe Seu Gilberto, ando, ultimamente, meio triste, queria tanto ver “essa gente bronzeada mostrar seu valor...”, queria sair às ruas com minha magrela e circular toda cidade, queria poder sair lá da Penha, do Meier, de Madureira ou, quem sabe, de Ramos e pedalar até o Pontal e vice-versa.

               

Sabe seu Gilberto, queria, muito, voltar a ser feliz, queria muito dizer que é FelizCidade, queria muito receber novamente “aquele abraço”.

               

Assinado, um de seus maiores fãs que crê e confia que “a fé não costuma “faiá””, “que tudo vai dar pé”... juro; eu tenho fé!

 

 

 

 

 

 

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