• Giuliana Pompeu

Pule carnaval e ocupe as ruas da cidade

Não fazem muitos anos que as ruas da cidade de São Paulo voltaram a se ver abarrotadas de foliões; de pessoas felizes e cheias de glitter sendo derramado no antes triste asfalto. As vias calejadas pelo peso dos carros têm nessa época de carnaval a leveza do passo das pessoas, que ao som das marchinhas carnavalescas vão ano a ano resignificando a maior metrópole da América Latina.

São Paulo passou a ser ponto turístico também nessa época, e é um dos únicos carnavais do país que ainda pode ser curtido de graça, democraticamente por todas as classes sociais; sem abadás ou segurança privada fazendo as conhecidas correntes de isolamento. A segurança fica a cargo da própria prefeitura e da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que ainda se adaptam para gerenciar todo esse povo que de todos os cantos da cidade vem curtir o impressionante número de mais de 600 bloquinhos organizados para essa temporada de 2017.

Veja aqui todos os blocos que rolam na capital paulista nesse ano!

Nesse final de semana, quando já rolava o pré-carnaval, o Prefeito Doria precisou admitir que a prefeitura não calculou bem o número de pessoas que estariam na rua, e as regras anunciadas às vésperas da festa de nada serviram, além de virar piada nos alto-falantes dos carros de som. Doria queria que cada bloquinho só tivesse no máximo 20 mil pessoas; o Bloco da Baixa Augusta ultrapassou os 80 mil. O toque de recolher era para ser às 20h, mas a festa seguiu noite adentro e faltou cidadania na hora de deixar a rua. Os pneus dos modais ativos sofreram com os cacos verdes e marrons da manhã dessa segunda-feira (20).

Mas, apesar dos necessários ajustes da educação de cada um e principalmente da organização do poder público, ver a rua assim tão cheia de vida traz à tona a realidade de que já não dá mais para pensar nas ruas da cidade como um lugar exclusivo dos automóveis. A cultura de transformar o preto do asfalto em verde de parque está se arraigando no imaginário do paulistano, e na falta de mais espaços abertos para curtir os finais de semana, a Avenida Paulista, o Minhocão, e diversas outras ruas são ocupadas mais e mais a cada folguinha que os trabalhadores conquistam.

O poder público precisa acompanhar essa ocupação, e não proibi-la. É necessário enxergar os cidadãos como eles são, organismos vivos que realizam suas ações a partir dos moldes de sua própria consciência. Da conscientização, pois bem. Por mais cervejas e catuabas que você tenha ingerido, entenda que a rua não passou a ser lixo. O não sempre será não, a embriaguez não é desculpa para abusos. Deixo meu apelo a prefeitura para que realize campanhas para orientar melhor os foliões, e que se esmere em estruturas bacanas para que a cidade de um dia para o outro não deixe de ser festa, para ser lamentações.

Pule o carnaval, mas pule também a falta de educação. Ocupe a cidade, ela é nossa!

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