• Por Ana M M González

Kit pedestre


Estava contando para minha amiga que eu tinha trocado o carro pelo ônibus e metrô havia já cerca de dois anos. E que estava bem feliz por não ter que dirigir em muitas situações. Ela me olhou incrédula. Percebi que valia a pena insistir.

“Sabe os corredores de ônibus? Melhoraram o tráfego para os coletivos. Vou mais rápido que os carros.”

Como ela me olhou com mais atenção, avancei: “Os ônibus não são tão ruins. Contribuo tirando um carro das ruas, para a diminuição do gás carbônico.”

Parei por aqui. Estava de bom tamanho para uma primeira conversa acerca do assunto! A maioria das pessoas, como ela e como eu mesma durante muito tempo de minha vida, prefere andar de carro sem pensar em alternativas.

Mas, ela ainda fez algum comentário. Ops! Consegui? Então é hora de passar uns dados práticos, cuidados que são importantes para essa mudança. Adaptações ao novo comportamento.

Passei pelos dois mais básicos. O primeiro é ter um guarda-chuva na bolsa depois de olhar o sistema de previsão climática. E se cair uma chuva? Garoa? “Você deve tê-lo à mão. Pequeno e bem leve.” “E, de preferência, deve estar com sapatos confortáveis para andar.” Pronto, falei! Fiquei com estes dois pontos essenciais. Conhecer o sistema dos ônibus pode ajudar, mas me contive. Esta terceira ideia me pareceu avançada demais.

E ela? Seus olhos brilharam um pouco mais. Mais atenção? Será que ela vai mudar? Ela teria entendido o meu recado?

Um mês e pouco depois ela me contou que tinha começado a olhar os pares de sapatos com outros olhos. Sinal positivo!

O kit pedestre começou a funcionar. Bom começo! Que o assunto continue dentro dela. Parece mentira, mas o vício de andar de carro está grudado nos comportamentos das pessoas. Não, não é fácil mudar hábitos desse porte.

Mas, livrar-se do carro, é um apelo irresistível.

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