• Chantal Brissac

Cidades verdes


Proteger, regar, mimar e disseminar a natureza nos espaços urbanos são garantias de vida saudável, sustentável e empática para todos. E as novas gerações poderão colher e vivenciar cidades melhores.


Este é um conceito importante já em metrópoles mundo afora. Para enfrentar as questões climáticas, cidades europeias se esforçam para aumentar as áreas verdes e abrir espaços para pedestres e ciclistas. Nos Estados Unidos, país originalmente carrocêntrico, as mudanças sustentáveis florescem em diversos meios, com áreas fechadas para pedestres (especialmente em Nova York), mais jardins, ruas "lentas" e ciclovias em todos os bairros.


Nova York também estimula cada vez mais os telhados verdes. Em abril de 2019, foram aprovadas medidas que têm como objetivo neutralizar as emissões de carbono e garantir que toda a demanda de energia da região seja atendida por fontes 100% renováveis até o ano de 2050. Os planos são parte de um projeto chamado Climate Mobilization Act e envolvem a construção obrigatória de telhados verdes ou painéis solares em novas edificações comerciais e residenciais da cidade.

Telhado verde no Brooklyn, em Nova York; abaixo, visão panorâmica dos "green roofs"

No Brasil, os movimentos e as organizações ligados à mobilidade ativa e sustentável incrementam o debate, que é urgente e vital. A ONG SampaPé é uma das várias instituições que estimulam o transporte a pé, lutando para empoderar e proteger caminhantes nas ruas e tornar as cidades brasileiras melhores, com mais áreas verdes para o convívio e o bem-estar público.


Em agosto já é tradicional, desde 2014, a Semana do Caminhar, evento nacional que envolve várias organizações ligadas à mobilidade ativa, uma oportunidade para levantar o debate sobre o caminhar, essencial como forma de deslocamento nas cidades que priorizam a saúde a sustentabilidade.

O Parque da Água Branca, em Perdizes, São Paulo, em foto de João Benz


Neste ano, o tema da semana foi “Passos e Espaços Verdes”, que destaca a importância da relação com a natureza no cotidiano das cidades, um assunto que ficou ainda mais latente na pandemia, com a demanda de isolamento social. O projeto, que reuniu 40 organizações parceiras de todas as regiões do Brasil – com atividades que engajaram mais de 600 pessoas em sua programação – trouxe insights e ideias para criar cidades mais verdes e que tornem o caminhar mais prazeroso e saudável.


As árvores filtram as partículas e os elementos tóxicos suspensos no ar, aumentando a produção de oxigênio e reduzindo as ilhas de calor, causadas pela impermeabilização do solo e pelo adensamento urbano. Além disso o convívio com a natureza traz várias vantagens ligadas à saúde física, mental e emocional. Confira algumas ideias sugeridas na Semana do Caminhar, que divulgou o seu balanço final há poucos dias (https://bit.ly/sdc2021_balancofinal):


● Criar hortas comunitárias em praças e até mesmo em canteiros nas calçadas, onde plantam-se temperos, vegetais e frutas com cuidado coletivo e colaborativo. Você traz alimentos que podem ser compartilhados pela vizinhança e mais sustentabilidade para sua região.

Horta comunitária no Sítio São Brás, em Recife


● Preservar e plantar árvores nas calçadas, espaço que é também de encontro, conversa, diversão e brincadeira, entre tantas outras atividades sociais.


● Criar, adotar e proteger praças nos bairros, especialmente nas periferias, que contam com menos espaços verdes do que as regiões ditas “nobres”. Em São Paulo, a Prefeitura tem o projeto “Adote Uma Praça”, que visa aumentar a conservação de áreas verdes na capital e desburocratizar os processos de adoção. Até o dia 20 de janeiro de 2021, foram 1.202 praças adotadas.

A praça Getúlio Vargas foi revitalizada em Florianópolis - foto de Daniel Queiroz


● Os rios estão em toda parte, mas em muitas cidades foram canalizados e escondidos debaixo de ruas, ou não estão integrados aos espaços públicos e cotidiano das pessoas. Recuperar seus cursos e criar parques em que é possível percorrer e estar nas suas margens é uma forma de trazer mais água, natureza, conforto térmico e qualidade na vida urbana.



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