• Texto e fotos de Carlos Monteiro

O Dia Mundial sem Carro

Olá como vai? Eu vou indo e você, tudo bem? Tudo mesmo? Tem certeza?

Hoje, e quando possível, deixe na garagem seu ‘Fuscão Preto’; estacione seu ‘Opala Azul’, guarde a ‘Brasília Amarela’, o ‘Corcel cor-de-mel’, aquele ‘Mustang cor-de-sangue’; imobilize a ‘Kombi 66’, o ‘Calhambeque’, o ‘Carro Velho’; retenha o ‘Mercedes Benz’, o ‘Ford Corcel 73’, deixe, até, a ‘Rural’, o ‘Sinca Chambord’ e o ‘Fiorino’ no parqueamento.

Pelo menos hoje, a Stefhany vai estacionar o CrossFox; irá de Metrô. Angélica esquecerá o táxi e irá a pé, fazendo aquele exercício básico.

No Dia Mundial sem Carro, cada um faz sua parte. Pise no freio, obedecendo ao coração e pare, nunca na contramão, mas pare, freie, breque, carregue nos travões.

Deixe o carro em casa!

Olhe, pelo retrovisor, o passado do Planeta. Pare, olhe, escute, avance. Através do para-brisa, projete o futuro, proteja o globo terrestre. Os macacos, os jacarés, as porcas, as borboletas, o burrinho, o morcego, aquele grilinho incomodo e até o gato; sim, ele mesmo. O que vive na esquina da rebimboca da parafuseta.

Pare, observe o sinal fechado. A sinaleira, o farol, semáforo, sinal luminoso do meio ambiente gritando: “parem com tantas emissões de gases tóxicos”. O Planeta ligou o pisca-alerta. Tenta parar o choque de tanta fumaça nos bancos da ilusão. No moto(r)-contínuo, com injeção-direta, carburado, na queima de combustível fóssil. Deixar no ponto-morto não é solução. Projetar um futuro em marcha ré, não é sensato, transitar acima da velocidade permitida não é seguro, andar na contra mão da história é perigoso e, totalmente, arriscado.

Ela, natureza, acendeu o farol de milha, tentando enxergar, sem óleos, mas, com lubrificantes para os olhos, que podemos optar sim, por mobilidade urbana, passando pelo caminhar, utilizar transporte público, bicicletas. Podemos subir a Rua Augusta, descer a Estrada de Santos com mais leveza e responsabilidade. “...Vamos a pé, de trem, de metrô/Seja lá pra onde for...”.

Que futuro, que legado queremos deixar para nossos filhos? Que bagagem queremos pôr no porta-malas ou no porta-luvas? Ouça as trombetas e o pistão, que tocam insistentemente, buzinam para que não acenda velas de ignição no porvir.

Tire o pé do acelerador, mude de marcha, manual ou automaticamente, mude a direção para um póstero melhor. Ilumine, seja com lanternas ou faróis, as estradas da vida para que não beije o asfalto na rua da amargura.

A banguela de hoje é a BR-3 de amanhã. A segurança não pode estar, somente, no cinto!

Entenda que, como nos versos de Roberto e Erasmo Carlos: “As coisas estão passando mais depressa.../...O tempo diminui/As árvores passam como vultos/A vida passa, o tempo passa.../...As imagens se confundem/Est(amos) fugindo de (nós) mesmo(s)/Fugindo do passado, do (nosso) mundo assombrado/De tristeza, de incerteza...”

Mude para que: “...Com a chave na mão/quer abrir a porta,/não existe porta;/quer morrer no mar,/mas o mar secou;/quer ir para Minas,/Minas não há mais./José, e agora?.../E agora José?...”, e agora Carlos Drummond de Andrade?

Se puder, não use o carro; hoje e sempre!

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